Motivação e Engajamento: são responsabilidade da liderança?

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Um dos temas que mais desafiam líderes no mundo organizacional é a motivação e o engajamento das pessoas da equipe. E, pensando bem, é natural que essa seja mesmo uma preocupação constante, afinal, não existe uma fórmula definitiva para essa questão. Não dá, por exemplo, para motivarmos alguém e essa pessoa assim permanecer ad aeternum… Motivação e engajamento – que, já vale dizer, são coisas distintas – é tarefa quase diária. A verdade é que dificilmente podemos diretamente fazer com que as pessoas se sintam motivadas ou engajadas, mas certamente podemos dar as condições que maximizem a probabilidade de que isso aconteça. 

Motivação e Engajamento são coisas diferentes

Uma pessoa motivada não é necessariamente uma pessoa engajada. Por outro lado, estar engajado também não é sinônimo de motivação. Muitos confundem engajamento com interação. Estar engajado não significa necessariamente que alguém interaja mais com o grupo de trabalho, a não ser que isso seja essencial para atingir o objetivo proposto. Resumindo a questão: motivação é aquilo que nos faz acordar todo dia e sair da cama, encarar o frio e tolerar algumas coisas, enfim, é aquilo que te move – que pode ser desde um boleto para pagar, até um status a conquistar. Já o engajamento, é o quanto você abraça o seu trabalho em si, o quanto acredita naquilo que faz e o quanto aquilo faz sentido para você, é você se colocar de maneira pró ativa na direção de uma causa.

Motivação intrínseca e extrínseca

A nossa motivação, ou seja, aquilo que nos faz sair da cama diariamente e encarar o dia, pode ser tanto intrínseca quanto extrínseca. Um exemplo que eu adoro é o do escritor. Será que ele escreve um livro porque gosta do processo da escrita ou porque ama o reconhecimento dos leitores? Sem fazer juízo de valor, ambos os casos são exemplos do que o move a escrever.

A motivação intrínseca tem relação com a janela de dentro, aquilo que diz respeito ao seu mundo interior. Já a motivação extrínseca, diz respeito àquilo que o ambiente te oferece: remuneração, bônus, premiação, são exemplos de motivação extrínseca, bem como as condições de trabalho e a relação com os outros. Costumo dizer que motivação extrínseca é como lenha na fogueira, você precisa alimentar constantemente para que o calor se mantenha.

Em Gestão 3.0, a gente trabalha com dez motivadores, os quais Jurgen Appelo, ‒ baseado nas pesquisas de outros dois autores, Daniel Pink e Steven Hayes ‒ apelidou de CHAMPFROGS, uma brincadeira que não tem um significado exato, mas é o acrônimo dos dez itens dessa lista.

Quero passar por todos os motivadores, destacando que todos nós temos, de alguma forma, esses dez motivadores dentro da gente, o que vai mudar é a prioridade que damos a cada um deles.

CHAMP

  1. CURIOSIDADE – São aquelas pessoas que se interessam pelas coisas e vão atrás de saber mais sobre elas. Deixar essa pessoa fazendo uma tarefa repetitiva, sem desafios, sem nada interessante para pesquisar, pode não ser um bom negócio!
  1. HONRA – São aqueles trabalhadores que têm orgulho de pertencer àquela organização, por se identificar com os valores ali presentes. Para eles, passar por episódios em que a empresa é pega em um grande esquema de corrupção ou algo do gênero, pode ser bastante impactante. Se a corrupção for contra sem próprios valores, é claro!
  1. ACEITAÇÃO – São pessoas que buscam pertencer àquele lugar e obter a aprovação dos colegas. Esse trabalhador pede uma atenção especial de seu gestor, para nunca ser “deixado de lado”, mesmo que involuntariamente. 
  1. MAESTRIA − É o trabalhador que busca se destacar dentro das suas habilidades. Ele já é especialista e se sente desafiado com problemas cada vez mais complexos, dentro de sua área de domínio. 
  1. PODER – São pessoas que se sentem motivadas quando há espaço para influenciar aquilo que ocorre ao seu redor. Basicamente, se sentem motivadas quando tem suas ideias ouvidas e conseguem implementar novas práticas. No entanto, ao dar esse tipo de espaço  para essa pessoa, é importante dar clareza de propósito e metas, para que ela não leve o time para outra direção.

FROGS

  1. LIBERDADE – São trabalhadores que buscam se sentir independentes dos outros para realizar o seu trabalho. A palavra-chave aqui é “autonomia”. No entanto, vale destacar que isso não necessariamente significa não saber trabalhar bem em equipe. Mas, são pessoas que vão se sentir desmotivadas com microgerenciamento ou trabalho em pares, por exemplo.
  1. RELAÇÃO – Reflete o desejo de desenvolver boa relação social com os outros no ambiente de trabalho. Para estas pessoas, é importante haver um espaço de troca, então, jamais as deixe isoladas! Afinal, não dá para ser feliz sozinha.
  1. ORDEM – Aqui, temos pessoas que se sentem mais confortáveis em um ambiente estável. Esses trabalhadores precisam de regras e políticas nas quais possam se sustentar para garantir a estabilidade do ambiente de trabalho. Novidades, como o open space, que é quando não há lugar definido do trabalho, podem gerar dificuldades para essas pessoas. Serem surpreendidas com uma reunião não planejada, também gera desconforto.
  1. META – Aqui, o termo deve ser entendido enquanto a realização de um propósito. É importante que o trabalhador veja sentido naquilo que ele faz, que as atividades e objetivos estejam conectados aos seus propósitos.
  1. STATUS – São trabalhadores que buscam se diferenciar e serem reconhecidos por meio de sua posição no ambiente de trabalho. Mandar um e-mail privado para essa pessoa reconhecendo o seu bom trabalho pode não ser a melhor maneira de mantê-la motivada. Para ela, é importante que os outros também saibam de seu sucesso e reconhecimento.

Motivação e engajamento e o papel da liderança

A partir desses dez motivadores, acredito que seja possível, se não dar a questão da motivação e do engajamento por encerrada, ao menos dizermos que temos um caminho a seguir nessa seara. Como eu disse lá no início, é absolutamente natural e até mesmo desejável que você, enquanto líder, esteja o tempo todo diante dessa preocupação. O importante é saber que todos, de uma maneira ou de outra, são passíveis de serem motivados e é nosso papel criar condições para que isso aconteça.

Se você quiser saber mais sobre o Jogo dos Motivadores, participe do workshop: Management 3.0 – Foundation.

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